quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Crise da Soberania no Império

Segundo Hardt e Negri, a crise da soberania no império se deve justamente por conta do ciclo de vida do próprio império em si. Todo império está condenado desde o dia de seu surgimento, uns duram mais tempo, outros menos, mas o momento de princípio de decadência e fim costuma ser muito similar entre todos os impérios que o mundo já teve ao longo de sua história.  Para a manutenção de um império, o governo deve ceder a algumas vontades do povo, garantindo-lhes mínimas condições de segurança, saúde, moradia, alimentação, educação entre outros. Desta forma a população se mantem calma e controlada pelo Estado. No entanto, todos esses direitos que o governo deve assegurar ao povo é muito custoso aos cofres do mesmo, a partir daí, a falência do Estado é questão de tempo.
A forma de sustentação do Império é hoje baseada, sobretudo, no poderio financeiro. Logo, tal qual a sina do capitalismo, o Império atual apresenta tendências autodestrutivas. Para se manter, o Estado agora defende não apenas o interesse público, mas principalmente o interesse de grandes corporações privadas. Assim, a política econômica estipulada pelos líderes dos governos gera um ciclo de gastos que vai culminar em crises financeiras, grande mazela das potências mundiais atualmente. E é na vida do povo que a crise vai se refletir, ocasionando o questionamento ao modo como o “Imperador” tem conduzido o Império.
Portanto, o paradigma que leva à decadência do atual Império, ao mesmo tempo em que causa o declínio financeiro de grandes instituições privadas, provoca a revolta do individuo comum com as condições nas quais a ganância de poucos gerou a desgraça de muitos. A tendência a partir daí é que a massa dos revoltosos aumente, aglutinando inclusive aqueles que antes apoiavam a forma de gestão do Império.
Com os soberanos falidos e incapazes de garantir os direitos básicos de seus cidadãos, o povo, agora uma multidão crescente, percebe na fraqueza do Estado uma oportunidade para derrubar os atuais detentores do poder e eleger um novo líder. Dessa forma um império é derrubado e outro se emerge.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A multidão é a força e a democracia

A partir do momento em que camadas diversas da sociedade se veem acuadas pelo mesmo inimigo, passa a se formar uma resistência diferente daquela que é vista em manifestações pontuais. Neste levante não participam apenas os trabalhadores exacerbadamente explorados pelo empresariado ou os estudantes que tem de arcar com mensalidades absurdas para ter uma educação de qualidade; tampouco não atuam sozinhos os moradores de rua reivindicando moradias minimamente dignas ou os ativistas que lutam contra grandes corporações que poluem o meio ambiente. Todos aqueles que se sentem de alguma forma injustiçados pelo atual "sistema" se empenham, então, em buscar uma maneira uniforme de enfrentá-lo. Ao vislumbrar um opressor comum, os oprimidos citados engajam-se agora por objetivos similares: contestar, enfrentar e, por fim, derrubar o "império".
          O questionamento quanto aos mecanismos que regem a ordem mundial atual leva a uma unicidade no que diz respeito ao modo de agir. A mesma interligação em redes que permite laços de colaboração entre os líderes das nações mais poderosas do mundo, oferece às massas potencialmente revoltosas meios de ganhar força. Independente do idioma, classe social ou motivo de indignação, as multidões separadas geograficamente ou ideologicamente tendem a unir-se numa mesma grande "multidão".
      As manifestação iniciada na Líbia, no início do ano, por exemplo, desencadeou centenas de outras manifestações semelhantes no mundo árabe. Diante da fome e da repressão militar, milhões foram às ruas na Tunísia, Egito, Síria, Arábia Saudita e outros países árabespara lutar pela queda de verdadeiros impérios. Após verdadeiras batalhas, a Primavera Árabe teve (e continua tendo) consequêcias históricas, como a renúncia do ditador Hosni Mubarak, no Egito, e uma guerra civil que culminou na morte de Muammar Gadaffi, na Líbia.
        Mesmo tendo nascido em países dominados por densas ditaduras, onde as opressões são muito mais abrangentes, as revoltas no Oriente Médio e África deram mostras de que a mobilização organizada pode provocar grandes mudanças.
        Posteriormente, outra forma de resistência, em situações diferentes, surgiu. A chamada "democracia" instituída nos países desenvolvidos foi abalada por contradições que expuseram às populações a impotência que têm as camadas dominadas diante das decisões dos poderosos imperialistas. Assim, após as insurreições nos países árabes que viviam sob governos ditatoriais, foi a vez dos países afligidos pela crise financeira assistirem às multidões saindo às ruas em sinal de indignação. Espanha, Grécia, Itália e Estados Unidos são alguns dos países que tiveram praças de suas principais cidades tomadas por manifestantes exigindo mudanças na política econômica. A maneira pela qual são geridos os Estados e negociadas as dívidas bilionárias com bancos privados,sobretudo na União Europeia, passou a ser questionada pelos manifestantes. A irresponsabilidade dos chefes de Estado e banqueiros demonstrou ser a principal causa do refluxo de capital, que deteriora as condições sociais dos povos.
        Dessa forma, até mesmo membros dos setores mais conservadores da sociedade deram corpo aos protestos. Na Espanha e na Grécia, onde o desemprego bate recordes, muitos profissionais liberais juntaram-se às grandes massas acampadas nas praças das capitais. Nos Estados Unidos, no acampamento montado em Wall Street (coração financeiro da América), empresários falidos e executivos demitidos têm engrossado o coro daqueles que se revoltam diante das ações indiscriminadas de bancos e Estados nas questões financeiras. 
        Ao passo que as diversas multidões tem sentido na pele as aflições causadas pela atual ordem mundial, vêm aumentando os clamores por mudanças; de tal forma que o movimento iniciado na Europa, passando pelos Estados Unidos, chegou aos países menos desenvolvidos. Por meio da mobilização em redes sociais, o número de "multidões" aumentou, com a adesão de manifestantes em mais de 900 cidades em todo o mundo. A resistência ao domínio dos detentores do grande capital chegou até mesmo em lugares onde a crise financeira ainda não causou grandes mazelas, onde a economia aparentemente só tem avançado. Nesses países, incluindo o Brasil, as mobilizações foram menores, mas menteve o mesmo posicionamento: contra a política econômica atual, pela maior participação do povo nas decisões políticas e pelo fim do capitalismo, neste caso a verdadeira autoridade por trás do "Império".