quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A manipulação social da mídia

De modo geral, tanto Sartori em “Homo Videns” quanto Bourdieu  em “Sobre a Televisão” acreditam que a comunicação de massa é negativa para a sociedade. As ideias contemporâneas dos pensadores apontam para uma queda na qualidade jornalística e, consequentemente, nos valores da sociedade, a partir da invenção da TV.   A sociedade contemporânea nunca sofrera um impacto tão grande quanto o causado pelo desenvolvimento das novas tecnologias.

Sartori: a televisão substitui a “linguagem-palavra”, a linguagem do nosso falar, pela “multimediaticidade” do vídeo e da realidade virtual do computador. Assim, é possível gerar um novo tipo de ser humano que “permanece surdo, por toda a vida, aos estímulos do ler e do saber transmitidos pela cultura escrita”, numa “atrofia cultural”.

Bourdieu: através de comparações entre os jornais impressos e a televisão, além de emissoras de TV francesas, propõe que o “jornal televisivo” confirma coisas já conhecidas, e mantém intactas as estruturas mentais. Quando não se utiliza desse truque, a mídia dedica espaço às variedades e ao esporte, como forma de na integrar conteúdo político na sociedade. 

Para nós há a possibilidade da democracia real, do povo, ser alcançada através, principalmente, da Internet.Sartori diz que a Internet é utilizada por quem a possui apenas com o intuito de se entreter, assim como a televisão. Porém a Internet é o meio onde se encontra uma grande demanda de cultura e informações, muitas delas não manipuladas e encontradas em blogs, sites alternativos, como é o caso do blog da Petrobrás, Fatos e Dados.A geração de hoje ainda é influenciada pela televisão, manipulada pela Indústria Cultural e isso afeta a cultura política da sociedade, já que o senso crítico das pessoas é formado e pautado na opinião que os meios de comunicação em massa como o cinema, a televisão, a música e até os próprios jornais impressos formam.
O homem contemporâneo se tornou, de uma forma ou de outra, massificado, pois a ordem que rege nos meios de comunicação é a ordem econômica e comercial, a busca do lucro, aniquilando o caráter social e cultural. É por isso que, para Bourdieu, a mídia prefere mostrar variedades, esportes e catástrofes naturais à incentivar nossa cultura política.
A ordem econômica não dá voz à democracia e isso faz com que a nossa sociedade se torne ainda mais oprimida e massificada, sem se dar conta disso. Porém, o desenvolvimento das novas tecnologias não só regulou a nossa sociedade, mas também nos emancipou, bem como permitiu que as distâncias e as fronteiras fossem quebradas. Atualmente, com a possibilidade de acompanhar informações de diversas fontes, já somos capazes de comparar os conteúdos. Também podemos nos envolver em discussões políticas em tempo real, nos blogs alternativos. Nos portal Nossa Lei, é possível que o cidadão proponha um projeto de lei, discuta-o e atraia interessados. Aí também é possível se informar sobre os projetos que estão em andamento.
Embora a sociedade ainda engatinhe nas redes sociais, num sentido de praticar política, nunca antes foi vista uma oportunidade tão clara de caminhar na direção de uma democracia plena. A sociedade unida em rede tem força e poder para governar e decidir os rumos dela própria, numa consciência única e interessada no bem estar geral. A Primavera Árabe é um exemplo recente de como uma população pode se unir em rede para mudar o rumo da política e história de um país.

                                                       Manifestantes durante a Primavera Árabe
                                   

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Crise da Soberania no Império

Segundo Hardt e Negri, a crise da soberania no império se deve justamente por conta do ciclo de vida do próprio império em si. Todo império está condenado desde o dia de seu surgimento, uns duram mais tempo, outros menos, mas o momento de princípio de decadência e fim costuma ser muito similar entre todos os impérios que o mundo já teve ao longo de sua história.  Para a manutenção de um império, o governo deve ceder a algumas vontades do povo, garantindo-lhes mínimas condições de segurança, saúde, moradia, alimentação, educação entre outros. Desta forma a população se mantem calma e controlada pelo Estado. No entanto, todos esses direitos que o governo deve assegurar ao povo é muito custoso aos cofres do mesmo, a partir daí, a falência do Estado é questão de tempo.
A forma de sustentação do Império é hoje baseada, sobretudo, no poderio financeiro. Logo, tal qual a sina do capitalismo, o Império atual apresenta tendências autodestrutivas. Para se manter, o Estado agora defende não apenas o interesse público, mas principalmente o interesse de grandes corporações privadas. Assim, a política econômica estipulada pelos líderes dos governos gera um ciclo de gastos que vai culminar em crises financeiras, grande mazela das potências mundiais atualmente. E é na vida do povo que a crise vai se refletir, ocasionando o questionamento ao modo como o “Imperador” tem conduzido o Império.
Portanto, o paradigma que leva à decadência do atual Império, ao mesmo tempo em que causa o declínio financeiro de grandes instituições privadas, provoca a revolta do individuo comum com as condições nas quais a ganância de poucos gerou a desgraça de muitos. A tendência a partir daí é que a massa dos revoltosos aumente, aglutinando inclusive aqueles que antes apoiavam a forma de gestão do Império.
Com os soberanos falidos e incapazes de garantir os direitos básicos de seus cidadãos, o povo, agora uma multidão crescente, percebe na fraqueza do Estado uma oportunidade para derrubar os atuais detentores do poder e eleger um novo líder. Dessa forma um império é derrubado e outro se emerge.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A multidão é a força e a democracia

A partir do momento em que camadas diversas da sociedade se veem acuadas pelo mesmo inimigo, passa a se formar uma resistência diferente daquela que é vista em manifestações pontuais. Neste levante não participam apenas os trabalhadores exacerbadamente explorados pelo empresariado ou os estudantes que tem de arcar com mensalidades absurdas para ter uma educação de qualidade; tampouco não atuam sozinhos os moradores de rua reivindicando moradias minimamente dignas ou os ativistas que lutam contra grandes corporações que poluem o meio ambiente. Todos aqueles que se sentem de alguma forma injustiçados pelo atual "sistema" se empenham, então, em buscar uma maneira uniforme de enfrentá-lo. Ao vislumbrar um opressor comum, os oprimidos citados engajam-se agora por objetivos similares: contestar, enfrentar e, por fim, derrubar o "império".
          O questionamento quanto aos mecanismos que regem a ordem mundial atual leva a uma unicidade no que diz respeito ao modo de agir. A mesma interligação em redes que permite laços de colaboração entre os líderes das nações mais poderosas do mundo, oferece às massas potencialmente revoltosas meios de ganhar força. Independente do idioma, classe social ou motivo de indignação, as multidões separadas geograficamente ou ideologicamente tendem a unir-se numa mesma grande "multidão".
      As manifestação iniciada na Líbia, no início do ano, por exemplo, desencadeou centenas de outras manifestações semelhantes no mundo árabe. Diante da fome e da repressão militar, milhões foram às ruas na Tunísia, Egito, Síria, Arábia Saudita e outros países árabespara lutar pela queda de verdadeiros impérios. Após verdadeiras batalhas, a Primavera Árabe teve (e continua tendo) consequêcias históricas, como a renúncia do ditador Hosni Mubarak, no Egito, e uma guerra civil que culminou na morte de Muammar Gadaffi, na Líbia.
        Mesmo tendo nascido em países dominados por densas ditaduras, onde as opressões são muito mais abrangentes, as revoltas no Oriente Médio e África deram mostras de que a mobilização organizada pode provocar grandes mudanças.
        Posteriormente, outra forma de resistência, em situações diferentes, surgiu. A chamada "democracia" instituída nos países desenvolvidos foi abalada por contradições que expuseram às populações a impotência que têm as camadas dominadas diante das decisões dos poderosos imperialistas. Assim, após as insurreições nos países árabes que viviam sob governos ditatoriais, foi a vez dos países afligidos pela crise financeira assistirem às multidões saindo às ruas em sinal de indignação. Espanha, Grécia, Itália e Estados Unidos são alguns dos países que tiveram praças de suas principais cidades tomadas por manifestantes exigindo mudanças na política econômica. A maneira pela qual são geridos os Estados e negociadas as dívidas bilionárias com bancos privados,sobretudo na União Europeia, passou a ser questionada pelos manifestantes. A irresponsabilidade dos chefes de Estado e banqueiros demonstrou ser a principal causa do refluxo de capital, que deteriora as condições sociais dos povos.
        Dessa forma, até mesmo membros dos setores mais conservadores da sociedade deram corpo aos protestos. Na Espanha e na Grécia, onde o desemprego bate recordes, muitos profissionais liberais juntaram-se às grandes massas acampadas nas praças das capitais. Nos Estados Unidos, no acampamento montado em Wall Street (coração financeiro da América), empresários falidos e executivos demitidos têm engrossado o coro daqueles que se revoltam diante das ações indiscriminadas de bancos e Estados nas questões financeiras. 
        Ao passo que as diversas multidões tem sentido na pele as aflições causadas pela atual ordem mundial, vêm aumentando os clamores por mudanças; de tal forma que o movimento iniciado na Europa, passando pelos Estados Unidos, chegou aos países menos desenvolvidos. Por meio da mobilização em redes sociais, o número de "multidões" aumentou, com a adesão de manifestantes em mais de 900 cidades em todo o mundo. A resistência ao domínio dos detentores do grande capital chegou até mesmo em lugares onde a crise financeira ainda não causou grandes mazelas, onde a economia aparentemente só tem avançado. Nesses países, incluindo o Brasil, as mobilizações foram menores, mas menteve o mesmo posicionamento: contra a política econômica atual, pela maior participação do povo nas decisões políticas e pelo fim do capitalismo, neste caso a verdadeira autoridade por trás do "Império". 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A regra da exceção

O estado de exceção, em sua origem, tem caráter temporário e deve ser utilizado em situações limites políticas e/ou econômicas para a suspensão dos poderes do Legislativo. Entretanto, o sistema biopolítico Ocidental tem se utilizado dessa medida para fundamentar suas atitudes capitalistas perante a sociedade. 

Essa realidade se intensificou durante a Segunda Guerra Mundial. A Alemanha nazista, sob o comando do megalomaníaco Hitler, julgou os judeus como a causa das desgraças que aconteciam no país, excluindo-os da vida política e social, restando a eles, nos campos de concentração, apenas a zoé/vida nua.

Após o período de guerras, o Ocidente transformou-se num verdadeiro Estado de exceção. Agora, suas atitudes são legitimadas pelo discurso ”em nome da defesa da vida sobre a qual pensa ter direito”. A população, alienada pelo sistema e destituída de sua vida política (bíos), se submete ao arbítrio do soberano (que é o Estado supostamente democrático, é claro!) e se torna cada vez mais individualista e anônima.

Exemplos atuais não faltam dessa falsidade generalizada na qual nos inserimos:

• a prisão de Guantánamo, que pode ser considerada um verdadeiro campo de concentração da Alemanha nazista. Os corredores de Guantánamo estão repletos de muçulmanos e talebãs frequentemente agredidos e torturados a mando dos Estados Unidos. Esses prisioneiros tiveram seus direitos políticos e suas liberdades de crença revogados num processo puramente capitalista que está além do 11 de Setembro e das guerras no Oriente Médio. Esses indivíduos são classificados como Homo Sacer por Agamben, ou seja, aquele que pode ser morto e sacrificável sem prejuízos para a sociedade.

• são Homo Sacer também os brasileiros moradores do sertão, onde, na verdade, a política do Estado  não é capaz de chegar, pois influentes coronéis mantêm a região segundo as suas próprias normas. Esses inúmeros homens, mulheres e crianças que muitas vezes não têm sequer identificação perante o Estado não têm outra opção além de se submeterem aos caprichos dos mais ricos para garantirem sua sobrevivência.

• os habitantes das comunidades nos morros do Rio de Janeiro são totalmente ignorados pela sociedade carioca endinheirada, que os classifica simplesmente de bandidos ou traficantes. Por parte do governo, a única assistência que recebem é a instalação de UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), que tem carta branca para perseguir, torturar e matar inocentes (tarefa essa que, em São Paulo, é executada pela Rota). Em 2007, às vésperas do início do Pan Americano no Rio, a polícia matou 20 pessoas (não se sabe ainda o número exato) de modo aleatório no Complexo do Alemão, como forma de avisar que estava no comando durante o evento mundial.

A polícia no Morro do Alemão em novembro/2011


Esses indivíduos, meros Homo Sacers, podem ser assim classificados porque não contribuem para o sistema, não estão presentes na sociedade de consumo e são negados pela própria sociedade preconceituosa (quanto à cor, à classe social, ao trabalho, etc).


A própria sociedade, afinal, contribui para a manutenção da vida nua e de milhares de Homo Sacers, pois como é possível um indivíduo ter direitos políticos se a sociedade não o aceita e o Estado os exclui?

O estado de exceção já virou norma, pondo em questão o valor da democracia no mundo contemporâneo, que propõe um estado de direitos iguais a todas as pessoas, na teoria, mas não na prática. 


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Foucault e as formas de poder contemporâneas

Para Michel Foucault, não existe poder nas mãos de um único soberano, mas sim a relação de poder exercida entre um único homem e o povo. O soberano, portanto, é obrigado a criar instituições que exerçam tal relação em diversos níveis, como os 3 poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) ou até mesmo instituições como Igreja, escolas, universidades ou a família.
                Antes, a morte era usada como indicativo de poder do soberano, o que constituía o poder disciplinar. Na história recente do Brasil, por exemplo, verificamos tal tipo de poder na Ditadura Militar, onde civis eram perseguidos, espionados, interrogados, torturados e mortos pelo governo, o que causava medo e apreensão. As pessoas tinham medo de tomar qualquer atitude que desagradasse o governo, e de tentar alguma atitude para mudar a situação.
Com o surgimento do biopoder, a garantia de vida passou a ser muito mais importante entre as atitudes que o Estado deve tomar, ou seja, o soberano deve se preocupar com investimento em saúde e sanitarismo. Vemos tal atitude no Brasil atual, onde programas assistencialistas são criados freqüentemente, não apenas nas áreas citadas, como também para garantir a alimentação e a educação da população.

As Classes Sociais, o Trabalho e a Exploração Humana

           
            Segundo o pensador alemão Karl Marx, os fatores que possibilitaram a exploração do homem por seu semelhante no mundo ocidental foram a divisão do trabalho e da sociedade e a substituição da mão de obra humana pela máquina. Essa situação acabou por acentuar ainda mais as diferenças de classe, acarretando na alienação do proletariado.



A Mágica da Exploração


            A exploração do homem se tornou evidente na época do surgimento dos Estados Modernos e do fortalecimento do Capitalismo, após a acumulação primitiva de capitais, que seguiu o período das Grandes Navegações e culminou no enriquecimento do Estado. Formado o Estado Absolutista, começa a surgir a burguesia, composta por comerciantes e artesãos.
            Nesse momento, a burguesia, representada no exemplo pelos artesãos, foi descobrindo que era possível ganhar mais dinheiro num mesmo espaço de tempo, tornando os seus empregados "especialistas" em certas atividades, ao invés de deixá-los produzindo suas mercadorias individualmente. Na produção de vasos, por exemplo: um trabalhador levava, em média, dez horas para produzir dois vasos; mas o burguês percebeu que, se dividisse as etapas da construção entre cinco trabalhadores (retirar argila do rio, tratar a argila, moldar, esquentar o vaso e vendê-lo), conseguia-se produzir os mesmos dois vasos em apenas duas horas e nas oito horas seguintes, mais oito vasos. Porém, o que permitiu o grande lucro por parte dos burgueses, foi que, os trabalhadores não recebiam por aqueles "vasos-extras", mas apenas pelos dois iniciais, que ele fazia quando trabalhava individualmente. Portanto o trabalhador recebe apenas pelas duas primeiras horas de trabalho, nas demais, ele trabalha de graça, já que o dinheiro da venda dos vasos extra vai para o burguês, pois ele é o dono das ferramentas e da oficina. As oito horas a mais que o empregado trabalha, é chamado por Marx de sub-trabalho, que possibilita o burguês obter o lucro e a mais-valia.            Os investimentos do burguês, como novas ferramentas, mais matéria-prima, melhorias na condição de trabalho do empregado, entre outros, são chamados por Marx de capital constante. O dinheiro gasto com salários é chamado de capital variável, que está inclusa a mais-valia.
A partir desses conceitos, existem duas situações possíveis para gerar ainda mais lucro para a burguesia:




·         Aumentar a carga horária dos trabalhadores. Como exemplo, se trabalharem doze horas por dias ao invés de dez, mas em duas horas os empregados já forem capazes de pagar seu próprio salário, a mais-valia do dono dos meios de produção é não mais de oito, mas de dez horas. Essa situação pôde ser vista no período da 1ª Revolução Industrial, quando os patrões impunham jornadas extenuantes a seus empregados.
·         A outra forma de elevar a mais valia é o aumento da produtividade, que permite baratear o custo da produção, já que, mantendo o mesmo número de trabalhadores, o tempo de trabalho para gerar seu próprio salário diminui em função dos aparelhos tecnológicos, acarretando num trabalho excessivo. Assim é possível obter uma mais-valia de oito horas, no caso do proletário ter uma jornada de dez horas por dia.
Com a introdução de tecnologia, haverá aumento na taxa de capital constante, mas ocorrerá a redução do capital variável, permitindo a concorrência com produtos semelhantes no mercado.


A Opressão Burguesa e o Comunismo


            O capitalismo garantiu à burguesia o poder dos meios de produção e da cultura da época, possibilitando a dominação burguesa, que para prevalecer, representou, por um tempo, os interesses de todas as classes, as ideias dos favorecidos e dos miseráveis. Quando por fim a burguesia dominou a economia e a política, deixou de agregar os interesses universais, passando a garantir apenas seus próprios interesses.
            O proletariado surgiu juntamente com o aparecimento da burguesia, já que era necessário alguém que trabalhasse para ela garantindo o lucro em troca de salários baixos em relação ao real valor do trabalho efetuado.
            A alienação do trabalhador ocorre porque ele não sabe o real valor de seu trabalho para o patrão, criando no proletariado uma situação de conformidade, já que seu salário garante sua sobrevivência e a de sua família. Os veículos de comunicação, também dominados pela burguesia, também apóiam a condição de subordinação das massas, alienando o trabalhador mesmo em seu período de descanso.
            No Comunismo proposto por Marx, esse trabalhador alienado percebe que pode se unir para garantir seus direitos, tornando-se um ser político, capaz de reivindicar melhores condições para sua sobrevivência. De operários isolados a associações, o proletariado vê em sua união uma força maior para lutar contra esta exploração.
            O trabalhador explorado compreende que o Estado garante a propriedade privada e os interesses burgueses. Percebe que a religião também é opressiva, pois tira a capacidade crítica do homem e o desvia das circunstâncias históricas.
            Para Marx, a luta de classes (burgueses x proletários) existe para chegar ao estado de Comunismo. O Capitalismo é atingido por crises econômicas porque se tornou o impedimento para o desenvolvimento das forças produtivas.     
            Marx tentou demonstrar que no Capitalismo sempre haverá injustiça social, e que o único modo de uma pessoa enriquecer é através da exploração dos trabalhadores. O Capitalismo é selvagem, pois o operário produz mais para o seu patrão do que o seu próprio custo para a sociedade, caracterizando o Capitalismo necessariamente como um regime econômico de exploração, sendo a mais-valia a lei fundamental do sistema.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Liberdade segundo Hobbes, La Boétie e Rousseau



Hobbes e o conceito de liberdade

O conceito de liberdade para Hobbes é quase nulo, assim como o da igualdade. A liberdade aparece, para o homem, em seu estado de natureza juntamente com o medo e o terror, que o fazem viver em constante estado de guerra. Isso ocorre pela desconfiança que há no outro homem. Desconfiança que o último lhe roube a vida e tudo que possui.
            Por não conhecer uns aos outros, o medo e o terror aparecem e fazem com que o homem instaure o contrato social, abdicando de sua liberdade para ter segurança e paz, que consiste na atitude mais racional para garantir a sua sobrevivência.
             A liberdade é oferecida pelo homem ao soberano quando o contrato social é instaurado, mas em troca de ser servo o homem quer a segurança de sua vida (mais importante) e a paz. O soberano deve garantir isto ao homem, caso contrário, a liberdade é devolvida ao homem e ele pode desobedecer às ordens do soberano e voltar a seu estado natural. Mais um papel do soberano é acabar com a igualdade, pois ela gera um conflito de todos contra todos. Se dois homens querem a mesma coisa, o que é totalmente passível de se acontecer, eles se tornam inimigos e passam a brigar entre si.
            O homem abriu mão da liberdade para proteger a sua vida, legitimando o poder do soberano e sendo assim seu súdito. A liberdade, como dito, é quase anulada, já que seu conceito se resume, para Hobbes, apenas em um movimento corporal, algo físico e não algo pelo qual alguém lute ou morra.

A liberdade no Discurso da Servidão Voluntária

        A liberdade no Discurso da Servidão Voluntária é o bem maior que o homem mais possui em seu estado natural. Tudo gira em torno da liberdade, já que é tão fácil obtê-la, basta o homem desejar tê-la que ele a consegue. O homem natural expresso no Discurso da Servidão Voluntária, diferente do homem natural de Hobbes, não se encontra em constate estado de guerra, ele apenas luta pela sua liberdade.
            O Estado trouxe o tirano que garantiu ao homem a servidão. O homem a partir do Estado deixa seu estado natural, seu estado de liberdade para se tornar servo. Ele acaba fazendo isso por ser enganado ou por ser forçado. Já servo, ele passa a se habituar a isto e esquece-se da liberdade que teve algum dia.
            O povo, para Hobbes, voluntariamente, se entrega a supremacia do Estado, garantindo assim, a preservação da vida. O Discurso da Servidão Voluntária rebate esse pensamento, afirmando que “Se fosse difícil recuperar a liberdade perdida, eu não insistiria mais; haverá coisa que o homem deva desejar com mais ardor do que o retorno à sua condição natural, deixar, digamos, a condição de alimária e voltar a ser homem?”.
            A liberdade é mais importante do que a segurança proposta pelo Estado de Hobbes.
             A educação influencia na escolha pela liberdade ou pela servidão. Se a criança já nasce habituada a servidão, sem nunca ter conhecido a liberdade, ela irá optar pela servidão. Assim, a primeira razão para a servidão voluntária é o hábito e a tirania é a pior das coisas que poderia acontecer ao homem, pois pelos homens não conhecerem uns aos outros ela “subtrai-lhes toda e qualquer liberdade de agir, de falar e quase de pensar.”, tornando o homem servo, covarde e efeminado.
            A igualdade é tratada da mesma forma que a liberdade, já que todos os homens são iguais em seu estado de natureza. A sociedade, já existente nesse estado, garante ao homem a sua união como conferido por Deus.
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Rousseau e seus conceitos de liberdade
             
Rousseau expõe que o homem é naturalmente livre, “mas por toda parte encontra-se aprisionado”. Por que, afinal, subjuga-se o homem a servir a um único soberano? Ao estipular um contrato social como via mais adequada para a organização humana, surge a servidão, a sujeição ao trabalho e, consequentemente, a miséria. Mas a fonte primitiva de todas estas lástimas é a instituição da propriedade privada.
             La Boétie nos mostra que a falsa sensação de liberdade faz com que os homens curvem-se a um soberano. Quanto mais tempo dura esta subserviência, mais poderoso torna-se o tirano e mais cego o povo que a ele serve. Já nascemos acostumados a este modo de viver. E esta acomodação torna os servos dependentes de seu amo, como se fosse um favor que se lhes fizesse a manutenção da vida.
            A intenção de Rousseau de transformar o povo em soberano e de converter a vontade geral na verdadeira constituição de leis, parece descabida em qualquer época conhecida. A simples escolha de um só homem como representante da sociedade, já não faz com que impossibilite a consumação da vontade do povo, ainda mais quando não há vigilância alguma por parte dos maiores interessados.

Hobbes x Rousseau

Se compararmos os pensamentos de Hobbes com os de Rousseau em relação à servidão voluntária e ao conceito de liberdade que ambos discutem, podemos perceber que o ponto de vista dos dois coincide em termos conceituais de servidão e estado, no entanto possuem ideais diferentes, já que Hobbes demonstra empatia à ideia de um soberano para garantir a ordem e a paz de um povo, considerando a igualdade e a liberdade um chamariz para a guerra, pois na ausência de um poder superior, quando existe um interesse conflitante entre duas partes, não há nenhuma lei ou força maior que impeça a disputa. Em contrapartida Rousseau defende o povo na posição de soberano, vislumbrando uma situação em que a sociedade se autogoverna, com igualdade social, econômica, e politica.