No início da década de 1920, o Partido Nazista planejava iniciar um grande golpe que, aos poucos, culminaria na tomada de Berlim. Adolf Hitler arquitetou bem os planos para a tomada do poder e reuniu um grande contingente militar. Porém, alguns de seus aliados voltaram atrás na decisão de apoiá-lo. Após a tentativa frustrada de golpe em 1923 em Munique, na Baviera, o Partido Nazista foi desmantelado e Adolf Hitler, preso. Essa foi a primeira grande fortuna (e o primeiro fracasso) na vida política do futuro líder alemão.
Já no seu julgamento, Hitler viu uma demonstração de que seu discurso, baseado num forte orgulho nacionalista, instigava o público a sentir-se exaltado. Na prisão percebeu o quanto era popular por meio das cartas recebidas. Como um “príncipe virtuoso”, passou a atrair a atenção e o apoio do povo. Outra demonstração de virtude foi a percepção de que não seria necessário desafiar diretamente as autoridades, como havia feito na tentativa de golpe. Traçando seus planos de chegar ao poder por meios legais, Hitler deixaria que a ‘democracia fosse derrotada por suas próprias forças’, como declarou.
Ao sair da prisão no fim de 1924, Hitler reergueu o Partido Nazista e passou a usar uma propaganda antissemita atrelada ao sentimento de humilhação do povo alemão imposto pelo Tratado de Versalhes após o fim da 1ª Guerra Mundial. Assim, Hitler ganhou simpatizantes (“súditos leais ao príncipe”) principalmente entre a classe média e os operários.
A Grande Depressão foi outro grande acontecimento do qual Hitler soube tirar benefícios. Os tradicionais partidos de centro não conseguiam lidar com as desavenças causadas pela depressão. Então nas eleições de 1932 o Partido Nazista (já possuindo certo numero de seguidores) conquistou 107 lugares no parlamento. Uma vez no governo, Hitler soube usar sua influência e a fraqueza do Partido do Centro para exigir o posto de Chanceler, que lhe foi concedido em 1933.
Desta forma, usando de “virtuosas” artimanhas diante das mais diversas situações (fortunas), Adolf Hitler chegou ao poder e acabou com qualquer resquício de democracia na Alemanha.
Uma vez no poder, Hitler buscou acelerar o rearmamento alemão para iniciar suas campanhas na Europa, o que demonstra virtù. E foi com as guerras, contra Áustria, Polônia, França e muitas outras, que o líder do povo alemão buscava expandir o seu domínio europeu. As guerras se faziam necessárias para a manutenção do estado, a manutenção de um estado que vivia da guerra e dependia dela e nas palavras do próprio Hitler 'na guerra eterna, a humanidade se torna grande - na paz eterna, a humanidade se arruinaria'.
Um grande erro de Hitler foi se tornar odiado por parte da população alemã, graças a suas ideologias. Segundo Maquiavel, o príncipe deve evitar qualquer ato que o torne malquisto ou desprezível.
Neste mesmo período, Hitler fracassou ao tentar bombardear e invadir a Inglaterra; a RAF (Força Aérea Real) acabou por vencer o episódio conhecido por Batalha da Inglaterra.. A incapacidade de vencer nos céus britânicos mostra falta de virtù por parte do líder alemão.
Polônia, Dinamarca e Noruega foram as primeiras vitimas do exercito alemão e nada puderam fazer para conter o seu avanço. Depois foi a vez da França se render à Hitler e em junho de 1941, o Führer rompe o pacto com a URSS e começa a invasão, porém foi detido em Moscou, devido a dificuldades de abastecimento e o rigoroso inverno russo.
Cerca de 1 ano depois, os alemães chegaram a Stalingrado, onde foram derrotados em 1943, o que foi a primeira grande derrota alemã na Segunda Guerra e marcava o início da derrota do III Reich. Maquiavel acreditava que a guerra deve ocorrer sempre, mas de maneiras diferentes, com o príncipe aprendendo com os erros do passado para obter sucesso, o que Hitler não fez, mostrando-se indigno de seu poder.
Após o fracasso alemão na campanha para invadir a Rússia e pela entrada dos Estados Unidos na 2ª Guerra Mundial, a fortuna, a dominação megalomaníaca almejada por Hitler chegava cada vez mais perto do final destrutivo.
Apesar da iminente derrota, as ordens do governante continuavam a ser cumpridas. Para Maquiavel, um príncipe “não deve ter outro fito (...) a não ser a da guerra”, levada ao extremo pelos esforços de Hitler. Esta pode ser considerada sua maior virtù, a persistência, conquistada devido aos fracassos constantes (fortuna).
Quanto ao poder de manipulação do povo, que até o fim esteve ao lado de Hitler, também esteve em consonância com os ideais de Maquiavel, já que “Um príncipe deve ser extremamente cuidadoso em só pronunciar palavras bem repassadas das cinco qualidades referidas, para que todos, ouvindo-o e vendo-o, o creiam a personificação da clemência, da lealdade, da brandura, da retidão e da religiosidade.”. Isso pode ser explicado pela propaganda garantida pelo ministro e amigo, Josef Goebbels.
Apesar de todos os fatos que afirmados por Maquiavel, poderiam levar Hitler a vitória e a se tornar um dos melhores governantes, ele que era amado e temido por seu povo, fizeram dele um mau governante. Ele sucumbiu às forças dos Aliados e consequentemente a fortuna, já que o seu fim não foi alcançado, fim este que seria a manutenção do Estado nazista e a expansão deste para o resto do mundo, tornado Hitler desvirtuoso.
Em um primeiro momento, em 1923, Hitler não teve a fortuna ao seu lado: seu golpe fracassou e ele foi preso, publicou sua "grande obra" na prisão, "Mein Kampf" e sua popularidade aumentou espantosamente.
ResponderExcluirPercebendo tal fato, foi extremamente virtuoso so usar o sistema democrático a seu favor.
Chegou ao poder e usou da propaganda e das armas para manter sua força e popularidade, já que os fins justificam os meios; declarou guerra e gerou um caos mundial com sua ideologia nazista.
Souber contornar diversos momentos de tensão durante a Segunda Guerra e em muitas batalhas teve a fortuna a seu favor, mas ao invadir a Rússia em 1943, falhou.
Como mostrado no texto, Maquiavel dizia que a guerra deve ocorrer sempre e que um príncipe virtuoso deve aprender com o erros do passado para consertar o presente, neste ponto o Führer se perdeu, esqueceu de estudar história e geografia: Napoleão já tinha falhado antes naquelas terras congeladas, invadidas pelos alemães logo no inverno, o pior período possível.
Porém, apesar de tudo, Hitler escolheu ser um líder temido, além de amado por grande da população alemã que aderiu ao Partido Nazista. Somente uma coisa da qual eu pessoalmente discordo do texto é de Hitler foi um mau governante: na prática, ele conseguiu mobilizar seu povo para uma Guerra Mundial, conseguiu erradicar grande parte do desemprego, diminuiu as taxas de analfabetismo, elevou o PIB de uma Alemanha destruída, colocou todo o povo considerado ariano contra todas as minorias e prendeu inúmeros judeus em campos de concentração sem que, por anos, houvessem movimentos de repressão contra suas atitudes.
Contudo, concordo que, de acordo com Maquiavel, por Hitler não ter conseguido manter o governo, ele falhou como príncipe e por isso, suicidou-se depois de perder a Segunda Guerra.
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ResponderExcluirOi pessoal!
ResponderExcluirAntes de mais nada, quero parabenizá-los pelo texto, que está muito bem escrito e conta com
considerações muito interessantes. Concordo com todos os aspectos apresentados, até o momento que antecede a conclusão à qual o grupo chegou.
Discordo que Hitler não tenha sido um príncipe virtuoso, mesmo com a decadência e fim do
Estado nazista: independente de suas ações, como até foi mencionado no texto, Hitler
sempre contou com o apoio total de seus governados. Até quando, ao final, o governo
nazista perdia força e o povo sofria as consequências da iminente derrota, todos
continuavam a obedecê-lo cegamente.
Isso só foi possível graças à forma extremamente virtuosa (para Maquiavel) com a qual o
mesmo conduziu seu governo, especialmente pela propaganda que fazia de seus ideais e de
si mesmo.
Não acredito que devamos desconsiderá-lo como um principe virtuoso somente pelo fato de o
mesmo não ter perpetuado o Estado nazista, pois durante todo seu governo, até o momento de sua derrota, ele teve o apoio de seus governados, e não desistiu de seus ideais, sempre insistindo na guerra e, principalmente, convencendo seu governados - por meio de discursos extremamente elaborados, que o fizeram ser tanto amado quanto temido até o final de sua vida.
Um beijo,
Laiz