quinta-feira, 23 de junho de 2011

As Classes Sociais, o Trabalho e a Exploração Humana

           
            Segundo o pensador alemão Karl Marx, os fatores que possibilitaram a exploração do homem por seu semelhante no mundo ocidental foram a divisão do trabalho e da sociedade e a substituição da mão de obra humana pela máquina. Essa situação acabou por acentuar ainda mais as diferenças de classe, acarretando na alienação do proletariado.



A Mágica da Exploração


            A exploração do homem se tornou evidente na época do surgimento dos Estados Modernos e do fortalecimento do Capitalismo, após a acumulação primitiva de capitais, que seguiu o período das Grandes Navegações e culminou no enriquecimento do Estado. Formado o Estado Absolutista, começa a surgir a burguesia, composta por comerciantes e artesãos.
            Nesse momento, a burguesia, representada no exemplo pelos artesãos, foi descobrindo que era possível ganhar mais dinheiro num mesmo espaço de tempo, tornando os seus empregados "especialistas" em certas atividades, ao invés de deixá-los produzindo suas mercadorias individualmente. Na produção de vasos, por exemplo: um trabalhador levava, em média, dez horas para produzir dois vasos; mas o burguês percebeu que, se dividisse as etapas da construção entre cinco trabalhadores (retirar argila do rio, tratar a argila, moldar, esquentar o vaso e vendê-lo), conseguia-se produzir os mesmos dois vasos em apenas duas horas e nas oito horas seguintes, mais oito vasos. Porém, o que permitiu o grande lucro por parte dos burgueses, foi que, os trabalhadores não recebiam por aqueles "vasos-extras", mas apenas pelos dois iniciais, que ele fazia quando trabalhava individualmente. Portanto o trabalhador recebe apenas pelas duas primeiras horas de trabalho, nas demais, ele trabalha de graça, já que o dinheiro da venda dos vasos extra vai para o burguês, pois ele é o dono das ferramentas e da oficina. As oito horas a mais que o empregado trabalha, é chamado por Marx de sub-trabalho, que possibilita o burguês obter o lucro e a mais-valia.            Os investimentos do burguês, como novas ferramentas, mais matéria-prima, melhorias na condição de trabalho do empregado, entre outros, são chamados por Marx de capital constante. O dinheiro gasto com salários é chamado de capital variável, que está inclusa a mais-valia.
A partir desses conceitos, existem duas situações possíveis para gerar ainda mais lucro para a burguesia:




·         Aumentar a carga horária dos trabalhadores. Como exemplo, se trabalharem doze horas por dias ao invés de dez, mas em duas horas os empregados já forem capazes de pagar seu próprio salário, a mais-valia do dono dos meios de produção é não mais de oito, mas de dez horas. Essa situação pôde ser vista no período da 1ª Revolução Industrial, quando os patrões impunham jornadas extenuantes a seus empregados.
·         A outra forma de elevar a mais valia é o aumento da produtividade, que permite baratear o custo da produção, já que, mantendo o mesmo número de trabalhadores, o tempo de trabalho para gerar seu próprio salário diminui em função dos aparelhos tecnológicos, acarretando num trabalho excessivo. Assim é possível obter uma mais-valia de oito horas, no caso do proletário ter uma jornada de dez horas por dia.
Com a introdução de tecnologia, haverá aumento na taxa de capital constante, mas ocorrerá a redução do capital variável, permitindo a concorrência com produtos semelhantes no mercado.


A Opressão Burguesa e o Comunismo


            O capitalismo garantiu à burguesia o poder dos meios de produção e da cultura da época, possibilitando a dominação burguesa, que para prevalecer, representou, por um tempo, os interesses de todas as classes, as ideias dos favorecidos e dos miseráveis. Quando por fim a burguesia dominou a economia e a política, deixou de agregar os interesses universais, passando a garantir apenas seus próprios interesses.
            O proletariado surgiu juntamente com o aparecimento da burguesia, já que era necessário alguém que trabalhasse para ela garantindo o lucro em troca de salários baixos em relação ao real valor do trabalho efetuado.
            A alienação do trabalhador ocorre porque ele não sabe o real valor de seu trabalho para o patrão, criando no proletariado uma situação de conformidade, já que seu salário garante sua sobrevivência e a de sua família. Os veículos de comunicação, também dominados pela burguesia, também apóiam a condição de subordinação das massas, alienando o trabalhador mesmo em seu período de descanso.
            No Comunismo proposto por Marx, esse trabalhador alienado percebe que pode se unir para garantir seus direitos, tornando-se um ser político, capaz de reivindicar melhores condições para sua sobrevivência. De operários isolados a associações, o proletariado vê em sua união uma força maior para lutar contra esta exploração.
            O trabalhador explorado compreende que o Estado garante a propriedade privada e os interesses burgueses. Percebe que a religião também é opressiva, pois tira a capacidade crítica do homem e o desvia das circunstâncias históricas.
            Para Marx, a luta de classes (burgueses x proletários) existe para chegar ao estado de Comunismo. O Capitalismo é atingido por crises econômicas porque se tornou o impedimento para o desenvolvimento das forças produtivas.     
            Marx tentou demonstrar que no Capitalismo sempre haverá injustiça social, e que o único modo de uma pessoa enriquecer é através da exploração dos trabalhadores. O Capitalismo é selvagem, pois o operário produz mais para o seu patrão do que o seu próprio custo para a sociedade, caracterizando o Capitalismo necessariamente como um regime econômico de exploração, sendo a mais-valia a lei fundamental do sistema.

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