Segundo Hardt e Negri, a crise da soberania no império se deve justamente por conta do ciclo de vida do próprio império em si. Todo império está condenado desde o dia de seu surgimento, uns duram mais tempo, outros menos, mas o momento de princípio de decadência e fim costuma ser muito similar entre todos os impérios que o mundo já teve ao longo de sua história. Para a manutenção de um império, o governo deve ceder a algumas vontades do povo, garantindo-lhes mínimas condições de segurança, saúde, moradia, alimentação, educação entre outros. Desta forma a população se mantem calma e controlada pelo Estado. No entanto, todos esses direitos que o governo deve assegurar ao povo é muito custoso aos cofres do mesmo, a partir daí, a falência do Estado é questão de tempo.
A forma de sustentação do Império é hoje baseada, sobretudo, no poderio financeiro. Logo, tal qual a sina do capitalismo, o Império atual apresenta tendências autodestrutivas. Para se manter, o Estado agora defende não apenas o interesse público, mas principalmente o interesse de grandes corporações privadas. Assim, a política econômica estipulada pelos líderes dos governos gera um ciclo de gastos que vai culminar em crises financeiras, grande mazela das potências mundiais atualmente. E é na vida do povo que a crise vai se refletir, ocasionando o questionamento ao modo como o “Imperador” tem conduzido o Império.
Portanto, o paradigma que leva à decadência do atual Império, ao mesmo tempo em que causa o declínio financeiro de grandes instituições privadas, provoca a revolta do individuo comum com as condições nas quais a ganância de poucos gerou a desgraça de muitos. A tendência a partir daí é que a massa dos revoltosos aumente, aglutinando inclusive aqueles que antes apoiavam a forma de gestão do Império.
Com os soberanos falidos e incapazes de garantir os direitos básicos de seus cidadãos, o povo, agora uma multidão crescente, percebe na fraqueza do Estado uma oportunidade para derrubar os atuais detentores do poder e eleger um novo líder. Dessa forma um império é derrubado e outro se emerge.
Com o capitalismo, a vontade do indivíduo acima do da nação se sobressai e vemos portanto a derrubada do império por esses indivíduos que querem a "liberdade". Interessante notar, como colocaram no texto, que esse novo governo, supostamente livre, atende aos interesses das grandes corporações, porém. Entramos numa reflexão, será que não apenas mudamos nossa submissão de um soberano para um grupo de corporações?
ResponderExcluirBom texto, pessoal, de fácil leitura.
Beijos.
Larissa Serpa
RA00099053
Embora concorde plenamente que o Império instituído pelo capitalismo tenha suas fendas e falhas, tenho uma visão mais pessimista de sua vindoura destruição. Os arquétipos e transformações políticas ocorridas nos últimos tempos, como a Primavera Árabe, são provas consistente de um avanço capitalista em culturas que, de modos ainda que vãos, lutam contra o imperialismo e com a imposição da globalização.
ResponderExcluirO interesse de outras nações nas quedas ditatoriais árabes é muito claro; abrir um mercado muito pouco explorado e tradicionalista. Daí, a necessidade de financiar os movimentos de resistência, apoiando-os.
Eu ainda não enxergo um fim para o capitalismo, do modo que seu soberano, ao meu ver, é a moeda, com um poder muito maior de moldar os governados por ela; afinal, a moeda, quando possuída pelo governado, o fecha numa própria redoma de poder e resistência ilusória.
Gostei bastante do texto, compreensível e claro.
Cecília Garcia
RA00046393
Juntamente com o poder econômico, que é citado no post acima, a população também tem grande importância na manutenção do soberano. É preciso proporcionar-lhes condições descentes, assim como hoje, o presidente deve fornecer educação, saúde, alimentação entre tantos outros direitos para que ele continue o poder, seja aceito e seu governo não caia.
ResponderExcluirMuitas das idéias citadas no texto se aplicam aos dias de hoje, quando, por exemplo, os autores dizem que a soberania é necessariamente um sistema dual de poder, uma vez que ele continua sendo e a relação de dominantes e dominados continuam a mesma: essencial.
Assim como também é lembrado no texto, uma vez que a população se junte e tome decisões, ela, supostamente ,seria capaz de governar a si própria , logo não precisaria mais de um soberano, que tornar-se-ia desnecessário.Fato esse que, apesar de utópico, deveria ser lembrado mais vezes pela população atual, para servir ao menos de inspiração.
MAJORRI BERTOLOTTI
RA 00096765
É certo que a maioria dos impérios existem com data de validade. De ciclos em ciclos, o Império sucumbe, para que outro possa se instalar.
ResponderExcluirMas, o capitalismo se enraizou com tamanha competência que não consigo visualizar seu fim.
E isto porque quem controla o capitalismo não é um Império específico e sim o conjunto de dominação de diversos deles.
Deste modo, não é possível "derrubá-lo" com da mesma maneira que os outros Impérios caíram.
Para que a população possa se conscientizar de que este domínio não é o ideal para suas necessidades vitalícias, ela precisa primeiramente compreender o tipo de domínio sofrido. E o tamanho do inimigo.
Enfim, como o poder é exercido não apenas por um dominador, torna-se complicado avaliar quem é o Império.
Para mim, o dinheiro está acima de todos os Impérios dominados por líderes, e torna-se de certo modo inalcançável, utópico.
Mesmo que o capital esteja na mão desses líderes, para o Império sucumbir, toda a nação mundial teria que se unir.
Beatriz Soares Pinto Ferraz
RA00095406
Concordo totalmente com a Beatriz.
ResponderExcluirO capitalismo se consolidou de tal maneira que por mais lutemos por alguma mudança, o fim não está nem perto do começo.Talvez achar que o capitalismo vai te o fim seja muito pretensioso, é um sistema tão corroborado pelos mais poderosos que penso que se um fim do capitalismo acontecer não será na realidade.
Acredito que se um império cai é para ceder espaço para outro, mais poderoso e abrangente, o que não seria necessariamente bom. Dentro desse aspecto, sentido de renovação não seria justamente benéfico.
Como vemos atualmente, dar o mínimo aos governados não tem sido (em muitas ocasiões) suficiente, e as revoltas confirmam esse fato.
O que verifico é que as revoltas só acontecem reativamente, isto é, quando afetam as pessoas diretamente e não só com indignação.
Texto bem claro.
Murilo Uchôa
RA00102219
Todo império será novo, porque cada soberano possui um modo diferente de comandar o povo e as leis.
ResponderExcluirImpério, soberania, política, dominados e economia sempre estarão juntos. Eu não vejo como separar essas partes, porque juntas elas formam o sistema capitalista.
Não existe império sem um soberano, assim como não há soberano sem povo para controlar, economia para movimentar o mercado e, claro, uma política que dita leis e regras a serem seguidas, garantindo desse modo os direitos de cada indivíduo. Portanto, tem que haver uma harmonia entre esses campos, para que o sistema funcione seja justo.
Segundo os autores, Hardt e Negri, a teoria da moderna soberania em política se harmoniza com as teorias e práticas políticas capitalistas da gestão econômica. Deve haver uma figura unitária e única que possa assumir a responsabilidade e decidir no campo da produção, não só para que haja ordem econômica, mas também para que haja inovação.
Não acredito no fim do capitalismo, até porque os impérios dependem desse sistema para se manter. Assim como, não acredito na melhora íntegra de nossos soberanos. Ultimamente, esses não tem tido uma boa postura para com os seus dominados, a falta de recursos e investimentos para o trivial como : saúde, educação, cultura etc, tem decepcionado muitas pessoas, e por conta disso as revoltas tem culminado em protestos, greves e até mesmo em violência.
Gostei muito do texto. Achei objetivo e de fácil compreensão.
Bruna Amoretti
RA00099051
Apesar de ser, sim, mais difícil que o ciclo de dominância do capitalismo termine, também é sabido que isso acontecerá. O processo, aliás, já começou: a falência dos bancos, empresas e país, sem contar a série de crises (a começar pela crise de 29) são claros demonstrativos disso.
ResponderExcluirO ciclo do império se completará independente da vontade popular. A vontade do povo, aliás, já mostra o quão insatisfeita a sociedade está com os investimentos do estado capitalista quanto ao seu bem estar básico (saúde, educação, segurança etc). Achei o texto de vocês bastante preciso e explicativo, mas acho que podiam ter dado mais exemplos práticos e ilustrativos.
Beijos,
Laiz Souza RA 00035918
Gostei muito do texto! Nele, as ideias que vocês colocaram em pauta permitem uma reflexão sobre esse tema.
ResponderExcluirÉ evidente que um soberano que saiba conservar bem seu Império, fazendo com que a população tenha seus direitos exaltados e cumpridos, poderá sem dúvida, estender seu legado e consequentemente, não deixar que atos ou revoluções atrapalhem seu governo. Entretanto, existem questões que acabam por desviar os planos que o soberano tem para a sociedade que serve e assim, descontentamento e falência do Império são corriqueiros.
O capitalismo, sempre visto em primeiro plano desde que foi colocado em pauta nas sociedas, serve como base para qualquer legado e também serve para controlar. Ele, sendo deixado sempre no pilastre mais alto, faz com o que o soberano tenha que se curvar à vontades de corporações que mandam o que bem entendem e que muitas vezes, pedem medidas que vão contra às vontades do povo.
Então, o soberano se encontra em uma situação complicada e normalmente, é partir desse momento, que o povo descontente com medidas tomadas, pedem por um outro soberano que atenda as suas expectativas.
Um soberano que cai deixa o espaço vago. Um espaço que deverá ser preenchido por alguém que saiba alinhar as vontades do povo e suas necessidas e desse modo, controlá-lo. Por alguém que também faça valer as vontades dos orgãos que predominam a sociedade, orgãos que mandam. Porém, jamais deveria deixar-se levar por vontades que vão contra a multidão pois são eles que detém o poder maior. É o povo quem escolhe se quer um novo líder.
Kauana Araújo Moreira
RA: 00100615
Vinicius Montoia Magalhães - RA:00095421
ResponderExcluirEu concordo com o que disseram no final do primeiro parágrafo. O Estado, ou quem quer que seja que esteja no comando do império, faz pequenas concessões para poder continuar no poder. Essa é a manutenção que o império faz para manter o controle sobre a sociedade. Um direito aqui e outro ali e estão todos satisfeitos, prontos a voltar a trabalhar e dar ao império o que ele desejar. Até quando o Império terá concessões para fazer não sabemos, mas até quando a população vai aguentar essa manipulação é algo que já deveríamos saber.